Hoje inauguro uma nova seção aqui no Descontrole:

COLCHA DE RETALHOS

“era carteiro de favela, que coisa bela, contradição”

(Wado e Realismo Fantástico)

imagem: João Zinclar

Os Correios estão em greve. E não se trata de uma greve por aumento de salário, apenas. É uma greve contra a privatização da estatal. É uma greve política. Tem mais aqui.

No disco de 2004 com o Realismo Fantástico, Wado gravou a belíssima Carteiro de Favela:

Era carteiro de favela
Que coisa bela, contradição,
Rua sem nome, beco, viela,
Pulando esgoto, minha função,
Faltando dado, número errado,
Uma labuta, sorte, viés,
De rosto em rosto, vida novela
E calo nestes pés

No fim do dia uma cerveja no bar
E o coração tranqüilo
No fim do dia uma cerveja no bar
E meu dever cumprido

Toda a discografia de Wado está disponível de grátis aqui na internet. Quer?

Na favela não tem Correios. Acerola e Laranjinha são escalados pelos poderosos do morro para realizarem a tarefa de entregar cartas. Kátia Lund e Paulo Lins quem escreveram o episódio do saudoso seriado Cidade dos Homens. Tem na internet. Assista a primeira parte aqui e as outras lá no Youtube.

Sabe aquelas sacolinhas plásticas que utilizamos para carregar nossas compras quando vamos ao supermercado? Pois bem, farão-nos pagar por elas! A partir de segunda feira (9/Maio/2011) estabelecimentos comerciais passarão a cobrar R$0,19 por sacolinha utilizada. Com muita hipocrisia, estão dizendo que o objetivo é diminuir o impacto que esse material produz no meio ambiente. Ah, tá! Agora eu sou o responsável por poluir? Eles são quem fabricam o plástico e eu sou o destruidor da natureza?

Essa medida foi tomada a partir de um acordo realizado entre o Governo do Estado de São Paulo e a Associação Paulista de Supermercados. Só peixe grande. E o trabalhador é quem paga o pato. Por que não oferecem uma sacola que não agrida o meio-ambiente? Querem lucrar ainda mais em cima de nós, pobretões, e tentam disfarçar com esse discursinho pós-moderno de “reciclagem”. Ah, vai ver se eu estou na esquina!

(leia notícia aqui)

Este já é o quinto ano do Descontrole, o fanzine de Campinas. Estamos em recesso desde outubro de 2010 devido a inúmeros acontecimentos na vida pessoal dos editores do zine (que sempre foi feito voluntariamente e de maneira independente). Chegamos em 2011 um pouco menores, com um editor a menos (éramos dois, William e eu, agora sou só eu), mas mantemos acesa a vontade de ver a cidade fervendo. Desde o primeiro ano do zine até aqui muita coisa mudou e a cena alternativa campineira está bem mais efervescente. Novos sites, novas festas, novas casas noturnas. Ainda continuamos pensando que coisas ANTIGAS não significam coisas VELHAS, por isso manteremos o site no ar, mas a proposta do zine impresso não está descartada. Em breve novidades! Grande abraço

Carlinhos

Tatá Aeroplano, Gustavo Souza, Fernando Falcoski, Fernando Maranho e Renato Cortez são tropicalistas nos anos 2000. A banda formada pelos meninos chama-se Cérebro Eletrônico e já lançou dois álbuns: Onda Híbrida Ressonante (2003) e Pareço Moderno (2008). Tatá e Fernando Maranho (que concederam essa entrevista com exclusividade para o Descontrole) começaram em 2001 numa banda de Bragança Paulista chamada Gorpiava. Com o Cérebro, mataram a vontade de fazer um disco mais experimental (Onda Híbrida Ressonante) e depois um disco mais pop (O elogiadíssimo Pareço Moderno).

Deus e o Diabo no liquidificador é o nome e o conceito temático do novo álbum do Cérebro Eletrônico.  Uma das canções que está no site da banda, Decência, traz a história de alguém que perdeu as chaves, dormiu no corredor e acordou sem dar explicações, metendo o pé na porta. A canção soa como um pop açucarado radiofônico, sem peso, sem distorções ensurdecedoras como insistem as bandas “novas” do circuito emo-noveleiro que pretendem-se “jovens”. O tema do “descontrole” e da “falta de juizo”, apesar de ter sumido do mainstream, vez e outra é objeto de criação no meio alternativo.

Tatá Aeroplano responde para o fanzine de Campinas se o Cérebro Eletrônico acredita na força da “música de quarteirão” (termo inventado por Lobão numa conversa com Bonadio para definir o som feito pelos artistas independentes): “Acho que nós que estamos na estrada há algum tempo temos que cada vez mais ousar em todos os aspectos, já que chegamos num ponto de liberdade criativa total. As pessoas podem barrar uma música nossa na rádio, ou TV, mas o disco está lá, existe e resiste ao tempo. Não conhecia esse termo do Lobão, nem acompanhei o tal dialogo dele com o Bonadio. Mas nos dias de hoje é bem isso, podemos dizer que fazemos musica de quarteirão a principio, mas os meios internéticos estão fazendo com que as musicas ganhem vida própria com o passar do tempo. No nosso caso a última musica do disco Pareço Moderno chamada ‘Sérgio Sampaio, Volta’, de uns meses pra cá subiu de 3.000 para mais de 10.000 acessos no YouTube, isso pode ser porque a musica tem interessado pessoas que antes curtiam outras musicas da gente, ou não. Nesse disco novo, as musicas tratam de assuntos que podem parecer polêmicos, mas são coisas que estão acontecendo com a nossa geração e temos que colocar nas musicas”.

O movimento encabeçado por Caetano, Gil, Mutantes e Tom Zé não foi só musical. Havia fortes influências da antropofagia modernista e de elementos estéticos que ultrapassavam as fronteiras do som. Moda, música, teatro, literatura e política entraram no liquidificador artístico da Tropicália. Assim, havia no tropicalismo macumba, coentro, guitarra elétrica, orquestra, berimbau, sexo, literatura de cordel, existencialismo, democracia, globalização e amor, além de outros elementos temáticos, constituintes ou conceituais. O Cérebro Eletrônico come nesse prato e, evidentemente, em outros mais. Com o advento da internet a discussão sobre direitos autorais se reacende e provoca náusea nas grandes produtoras. Para os criativos, provoca orgasmos. A banda tem se dedicado a usar essa ferramenta como um meio a mais de distribuição de sua arte ou como um elemento temático, constituinte e conceitual?  Tatá Aeroplano: “Acho que direito autoral está na boca de quem cria. As pessoas que se preocuparam com essa coisa de direitos autorais a principio ficavam sentados na cadeira ganhando o seu as custas dos que criavam. Quanto a minha posição a essa história de direito autoral digo: esses senhores fizeram um monte de besteiras quando viram que a mina de ouro ia secar e a gente, que cria e tals, por um tempo ficamos sem norte, mas como o tempo é generoso e a gente tem amigos artistas pensadores como é o caso do Juliano Polimeno da Phonobase. Hoje tenho uma posição clara sobre o assunto, libero os direitos autorais para projeto de artistas e cobro de quem é das grandes produtoras, burocratas e tals. Quanto ao uso da internet, é uma ferramenta maravilhosa pra gente, usamos e abusamos dela, eu como pessoa física não sou tão internético assim… passo dias no cinema se me deixarem. Mas é importante pacas pro Cérebro”.

O Fernando Maranho também falou com a gente sobre isso: O Cérebro foi criado por dissidentes de uma banda que pregavam a liberdade criativa em detrimento de uma postura mais conservadora dos demais. Está em nosso cerne. Ao mesmo tempo damos nosso sangue pela banda e por isso precisamos tentar valorizar nossas obras no sentido financeiro, para que possamos continuar fazendo música tendo o mínimo de recursos necessários para que isso seja possível. Então nossa postura é de que a internet é libertária mas ao mesmo tempo pode ser prejudicial pois pulveriza o excesso de informações e possibilidades. Atualmente optamos por liberar algumas faixas na internet porém não a obra por completo. O ideal seria chegarmos em um ponto, talvez utópico, onde tudo pudesse ser livre ao mesmo tempo em que houvesse uma compensação automática aos artistas. Precisamos de algo que ainda não foi inventado para balancear a equação”.

A escola de Frankfurt foi bastante taxativa quando afirmou que a Industria Cultural era uma maneira de sintetizar produções artísticas. Walter Benjamim dizia que o cinema (o Tatá acabou de citá-lo como uma de suas preferências) surgia baseado na fácil reprodução, o que tirava da arte o seu status de raridade e poderia lhe trazer um caráter revolucionário. Theodor Adorno, por sua vez, dizia que as novas formas de arte (cinema e músicas curtas para tocar no rádio) seriam uma nova maneira de controle social pelas elites econômicas. Ambos eram marxistas com opiniões diferentes a respeito da cultura pop que surgia. A escola, por conta das idéias de Adorno e seus seguidores, foi acusada de ter se tornado uma espécie de protesto erudito contra a popularização do acesso à cultura. Umberto Eco chamava-os de filósofos “apocalípticos” porque eles acreditavam que tudo o que viesse a fazer sucesso comercial não poderia ter valor estético (segundo essa idéia, a arte não foi feita para ser vendida).

Por diversas vezes, na Tropicália, Caetano Veloso defendeu músicos populares. Chegou a cantar com Odair José e fazia versões de canções de enorme sucesso popular em seus discos e shows. Da mesma forma, chegou a defender veementemente uma postura erudita (como quando passou a criar letras de difícil compreensão popular). O Cérebro Eletrônico acredita que essa contradição é um elemento freqüente e enriquecedor na música contemporânea ou que se acomodou em discussões sociológicas meramente acadêmicas que em nada se relacionam com a realidade? Tatá Aeroplano responde: “No ano passado fui assistir ‘O Anticristo’ do Las Von Trier, esse filme mexeu muito comigo pelo simples fato de trabalhar o tempo inteiro com a contradição. Nós somos contraditórios, eu nessa entrevista certamente vou cometer esse ato da contradição. Eu estudei esses textos do Benjamim, do Adorno, li, reli, e faço como faço com tudo na vida, jogo no inconsciente,  esqueço de tudo  e depois busco no inconsciente, na memória algo que possa me ajudar no dia a dia. Por isso o filme do Las Von Trier mexeu comigo, lá uma hora um dos personagens diz: – “Freud está morto!”.  Dentro do contexto do filme fez um sentido, eu fiquei com essa frase na cabeça e dentro do contexto do meu mundo, coloquei numas das novas musicas da banda. Porque Las Von Trier disse isso no filme? Agora já não lembro mais… mas pra  mim fez todo o sentido escutar aquilo, está dentro do nosso espírito do tempo, tempo que as pessoas tem praticado ‘Terapia Virtual’ no Facebook, tipo, postamos algo lá pra ser afagado com comentários… e curtimos. Existe algo de estranho nos dias de hoje e Las Von Trier com todas suas contradições traz suas angustias a tona e faz a gente pensar. Isso é arte e é teoria também, por isso acho Caetano um dos maiores artistas de todos os tempos. Ele é arte bruta, poeta nato e um baita de um intelectual. Aliás li um texto essa semana do Ferreira Gullar na Folha de São Paulo questionando  o texto do Benjamim, você viu!?”

Pô, não vi. E o Fernando Maranho, o que acha disso? “O fato de você querer espalhar a sua música para o maior número de pessoas possíveis não deveria estar associado diretamente a uma baixa qualidade no trabalho dos músicos. Com o Cérebro, acreditamos que a música pode ser popular ao mesmo tempo em que não seja banal. Acreditamos nas pessoas e no potencial delas. Acreditamos no potencial cultural do Brasil. Dizer que o povo só gosta de porcaria é segregar. Nós almejamos agregar. Por isso a briga de Caetano é legítima. Os anos 90 fizeram com que as pessoas associassem sucesso com porcaria. O tal jargão “som comercial” criou uma barreira a ser quebrada por nossa geração”.

Em março do ano passado, o DJ Maurício Valladares abriu as apresentações do Just a Fest na Chácara do Jóckei, em São Paulo. Sua apresentação antecedeu aos shows de Los Hermanos, Kraftwerk e Radiohead. foi uma das canções que estavam em seu setlist. Como a banda recebeu o sucesso de crítica que Pareço Moderno obteve, tendo circulado em relevantes listas de melhores do ano? Responde o Tatá: “Pra gente foi uma grande felicidade, Dê é uma dessas musicas que cada dia que passa chega num novo quarteirão, acho que Pareço Moderno nos mostrou um caminho legal de trabalhar um disco, com calma, sem afobação, sem hype, sempre achei que as coisas tem que acontecer com muita calma e nesse disco fomos felizes, eu me arrepiei quando escutei Dê nesse dia”. Responde o Maranho: “Todas a críticas positivas servem como estímulo para seguirmos na mesma trilha. Sem elas possivelmente estaríamos nos perguntando se estaríamos no caminho certo”.

Deus e o Diabo no Liquidificador, segundo matéria da Rolling Stone, soará mais rock, “um disco de banda”, como disse o Tatá. O pequeno texto de Tiago Agostini diz ainda que será um trabalho “libertário e anárquico”. O que se  quis dizer com esses termos? É a primeira vez que a banda freqüentará temas polêmicos (maconha, religião) em seu trabalho? Fala, Tatá: “Eu sempre escrevi naturalmente sobre esses temas, mas é a primeira vez que eles chegam concentrados. Acho que chegamos numa época que precisamos levantar questões, quebrar tabus, pra mim falar de maconha, religião, sexo, sacanagem é natural … não é polêmico. A geração dos anos 60 deu um duro danado pra quebrar um monte de tabus e a nossa geração não pode jogar tudo isso por água abaixo. Por isso reverenciamos Caetano, Gil, Mutantes, Zé Celso, Glauber, Tom Zé, Oiticica, Gal, Macalé, Torquato, Raul Seixas, Sérgio Sampaio e todo mundo que pôs a cara pra bater naquela época. Acho que a nossa geração tem a missão de não deixar o mundo careta, porque o mundo anda politicamente emo”.

Desde os anos 1960 até o boom do rock nacional nos 80, muito provavelmente devido à conjuntura política do país, os artistas pareciam bastante engajados e criavam letras com teor militante e provocativo (mesmo e até especialmente no mainstream). Dos 90 até os dias de hoje as letras políticas tem aparecido com muito menor assiduidade (inclusive no mundo independente). A banda pensa que isso aconteceu porque o engajamento dos artistas era na verdade por “liberdade de expressão” tão somente e não por uma revolução política estrutural ou porque passaram a acreditar que a realidade do Brasil tenha melhorado com as políticas de FHC e Lula e não há mesmo a necessidade de usar a arte como instrumento de transformação? Tatá, responde pra gente se você e o Cérebro Eletrônico acreditam que, mesmo com as restrições impostas pelo mercado, é possível ter liberdade de expressão no Brasil: “Na música nós temos total liberdade, eu me pego as vezes me censurando de tanta liberdade que temos, e isso é maravilhoso, porque decidimos tudo sobre o disco sem ter ninguém pra dizer, isso não pode. Isso é uma grande evolução, o que não podemos é pensar em aposentar as palavras e só fazer canções por fazer. Na década de sessenta o engajamento era por ‘liberdade de expressão’, ‘contra a guerra do Vietnã’, hoje vivemos num mundo preocupante, vimos o senhor Bush invadir o Afeganistão, o Iraque, sob a bandeira questionável do combate ao terrorismo e agora eles querem pegar o Irã. Essas coisas a gente tem que ficar esperto e questionar. Caetano escreveu ‘Base de Guantánamo’ porque é inquieto e reage ao mundo. Aqui no Brasil, na minha opinião, vivemos 16 anos de muita evolução política, e pela primeira vez a gente está com auto estima. Como um pais pode prosperar se a gente acha que aqui dá tudo errado, não tem futuro? O lance é a gente fazer política,  tem MUITA coisa pra melhorar, mas muita coisa mesmo,  fico até zonzo de pensar, mas o país acertou a moeda, a economia aqueceu e agora temos tudo para priorizar a educação e claro, a longo prazo, teremos muitas melhorias, uma mudança num planeta que tem bilhões de anos leva séculos”.

O novo disco do Cérebro Eletrônico será lançado ainda este ano e sua confecção pode ser acompanhada pelo site da banda (www.cerebrais.com.br).

Desde o modernismo que se fala sobre cultura antropofágica aqui nas terras tupiniquins. A mistura presente na música brasileira teve seu o ápice com o movimento tropicalista, quando a juventude intransigente ocupou os palcos dos festivais e revolucionou a MPB. Caetano, Gil, Tom Zé e Mutantes estavam a frente de sua geração e são, até hoje, referência do pop nacional. Esse movimento manteve-se fértil no chamado Rock Brasil dos anos oitenta quando grupos como Asdrúbal Trouxe o Trombone e Titãs levavam a antropofagia para os palcos e discos. Guitarra elétrica, poesia concreta, macumba, baião, urbanidade e política se reuniram nas obras de artistas que objetivaram por meio de seu trabalho os anseios de seu tempo.

Nos anos noventa Karnak e Pato Fu são os mais relevantes representantes dessa mistura que foi responsável por universalizar a música brasileira e fazer com que ouvidos atentos do exterior se voltassem para a Terra de Santa Cruz.David Byrne, Beck, Devendra Banhart, Sean Lennon e Manu Chao são alguns dos que fazem campanha pela música brasileira lá do lado de fora.

A década que acabou de terminar abriu com Los Hermanos e o boom de excelentes bandas independentes cantando em português. Ludov, Pulloverse Cérebro Eletrônico continuam levantando a bandeira da antropofagia e um destaque do ano passado, fechando o ciclo de excelentes produções, chama a atenção por reavivar um estilo que manteve-se hibernado desde quando osTitãs começaram a trilhar um caminho mais grunge e noveleiro e se afastaram da poesia concreta: o disco A Passeio, da banda mineira Porcas Borboletas, figurou entre as listas de melhores do ano e chegou a marcar presença em discussões sobre os melhores da década.

A criatividade e a irreverência do Porcas Borboletas surpreendeu o cenário independente que, até aqui, vinha percorrendo uma linha mais séria (exceções como Vídeo Hits não seguiram adiante). Com o disco Um Carinho com os Dentes (2005), a banda criou hits marcantes para o circuito independente, como Cerveja (que pode ser ouvida aqui).

Em 2009 a banda gravou a música tema do filme Nome Próprio (Murilo Salles) que entrou para o set de seu segundo disco, A Passeio, elogiadíssimo pela crítica musical. Em 2010 a banda esteve no Festival Brazil, em Londres, e tocou para o público que aguardava a apresentação d’Os Mutantes. Banzo escreveu no blog da banda“a reação das pessoas vai muito além do que imaginávamos. Teatro é olho no olho, não tem mentira. E os olhares nos transmitiam espanto, beleza, susto, prazer. Não sabíamos ali quem era brasileiro quem era gringo. Fato é que a nossa sensação era de falar para o desconhecido. E o desconhecido se deliciava com nossa linguagem. E a gente se deliciava com o desconhecido”.

Além de Enzo Banzo (voz e violão), a banda conta com Danislau Também (voz), Moita (guitarra e voz), Rafa (baixo), Ricardim (barulhos, sopros e teclados), Vi (bateria) e Jack (percussão), uma formação que também lembra a supracitada oitentista Titãs. Essas referências não são deslocadas. A banda musicou um poema de Arnaldo Antunes e o tem como um de seus fãs. Leandra Leal, estrela do filme Nome Próprio, e Arrigo Barnabé participam do disco que a banda lançou em 2009 (se você ainda não ouviu o álbum, clique aqui para baixá-lo).

Ricardim filmou e editou o clipe da música que dá título ao último trabalho da banda:

“Tem gente que lê Thomas Hobbes, gente que fuma cannabis, gente que ora pro nobis, gente que dá o forevis” e gente que ouve Porcas Borboletas. Acompanhe o trabalho da banda pelo site oficial e pelo MySpace. Não deixe de conhecer um pouco da trajetória dos mineiros em seu antigo blog. Explore A Passeio.

Texto originalmente publicado no Rock’n'Beats

O primeiro álbum da banda Cabaret surgiu em 2007 e serviu de base para uma ópera rock (A Tragédia Maquiada) que a banda resolveu encenar durante seus shows. Estão finalizando seu segundo disco que, segundo informações de seu MySpace, tem a participação especial de Ney Matogrosso numa das faixas.

Nós fizemos uma pequena matéria sobre a banda lá no Rock’n'Beats.

Daniel Peixoto está fazendo bombar a sua carreira solo desde o encerramento das atividades do Montage (em 2009). A preparação do seu aguardado álbum conta com a participação de grandes nomes da música eletrônica brasileira: Leco Jucá (seu parceiro no Montage), Killer On The Dance Floor, Disco Killah e o rapper Xis entre outros (veja matéria no Rock’n'Beats). Segundo o cearense, o disco será mais pop que seus trabalhos anteriores e contará com elementos surpresa de música brasileira. Na apresentação que fez semana passada no clube campineiro Kitnet, Daniel Peixoto tocou a nova versão para o hit Raio de Fogo que ganhou a participação especial de Thalma de Freitas.

Antes da apresentação, Daniel conversou conosco sobre sua participação na Parada Gay, o lançamento do single Come To Me, sobre a nova onda do tecnobrega e seus novos projetos. A entrevista foi publicada com exclusividade pelo site Rock’n'Beats e você pode conferir matéria completa aqui. Na conversa Daniel disse que seu disco já está pronto e celebrou as novas parcerias que lhe estão rendendo visibilidade no exterior (suas faixas novas já figuram em coletêneas do Chile e da Alemanha). O álbum será lançado internacionalmente pelo selo do produtor Larry Tee, um dos personagens que Daniel inscreveu em seu novo hit, o tecnobrega Flei. A faixa (produzida pelo DJ Chernobyl) é pop chicletão que fala sobre um assunto nada convencional. Descubra o significado do flei aqui.

Daniel acredita que o tecnobrega é, depois do funk carioca, “a nova história do Brasil para o mundo”. Contou-nos que gravou mais duas faixas para o repertório de Gabi Amarantos, diva do tecnobrega lá no Pará (ela acabou de assinar contrato com a Som Livre). Segundo o artista, “com certeza, a partir do momento em que as pessoas entenderem o que é que se canta, aí é que a coisa vai ficar mais forte”.

Assista ao clipe de Come To Me:

Acompanhe Daniel Peixoto pelo MySpace e baixe as músicas novas no TramaVirtual.

Zémaria, super elogiada em suas apresentações fora da terrinha, saiu do Espírito Santo e se tornou uma das maiores bandas de música eletrônica brasileira, misturando sintetizadores com ritmos característicos de sua região (como o Congo).

Veja a matéria que fizemos lá no Rock’n'Beats.

Conhece a banda Pública? Na ativa desde 2001, lançou seu primeiro álbum em 2006. Desse trabalho (Polaris), Long Plays destaca-se como hit do indie nacional. Como Num Filme Sem Fim foi lançado em 2009 e traz de volta os timbres do disco anterior, mas apresenta uma banda mais madura e coesa.

Leia matéria completa que publicamos no Rock’n'Beats.

Daniel Ribeiro é um jovem cineasta paulistano. Sabe aquele site bacana chamado Música de Bolso? Então, ele foi um dos criadores do projeto.  Em 2007 dirigiu Café com Leite (assista aqui) e em 2010 foi um dos vencedores do Festival de Paulínia com Eu Não Quero Voltar Sozinho. A sinopse do filme diz que a vida de Leonardo, um adolescente cego, muda totalmente com a chegada de um novo aluno em sua escola. Ao mesmo tempo, ele tem que lidar com os ciúmes da amiga Giovana e entender os sentimentos despertados pelo novo amigo Gabriel. O filme, como Café com Leite, também aborda com delicadeza a temática da homossexualidade.

Veja trailer a seguir:

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